Quarta-feira, 25.06.14

Portugal: dois milagres no mesmo dia, nem em Fátima!

Sinceramente, não acredito que Portugal siga em frente.

Seriam precisos 2 milagres no mesmo dia, e à mesma hora, para isso acontecer.

Um milagre, ainda vá, às vezes acontece. Mas dois milagres? Isso nunca aconteceu.

 

Até porque, bem vistas as coisas, o Gana está bem mais perto de passar do que nós. 

Dos quatro jogos que vi no nosso grupo, acho o Gana mais forte que Portugal, e até que os Estados Unidos.

Perdeu com os americanos mas teve azar, e empatou com a Alemanha, mas podia ter ganho, e até merecia.

Portanto, acho mais provável o Gana vencer-nos, do que nós vencermos o Gana.

Bem sei que há problemas internos, discussões sobre dinheiros, essas coisas.

Mas, na hora do jogo tudo será esquecido e o Gana jogará como sabe, que é muito.

 

Quais são as probabilidades deles e nossas?

Bom, se Alemanha e Estados Unidos empatarem, que é o cenário mais provável, a probabilidade é zero.

Apesar das declarações todas muito honradas e as juras de jogar para a vitória de Klinsman e Low, a verdade é que o empate deixa ambas as equipas no Mundial, e nenhum alemão ou americano será louco suficiente para pôr isso em risco.  

Portanto, se houver empate no primeiro jogo, o resultado do Portugal-Gana será completamente indiferente.

 

Mas, admitamos que algo acontece e alguém marca um golo no Alemanha-Estados Unidos.

Se forem os americanos a vencer por 1-0, em que situação fica o grupo?

Os EUA ficam com 7 pontos, e os alemães com 4, com uma diferença de golos de +3 (6 marcados e 3 sofridos).

Nessa caso, o Gana teria de vencer Portugal por 4-0, ficando com 4 pontos e com um score idêntico de +3, mas com 7 marcados e 4 sofridos.

Só assim o Gana passava, o que convenhamos é muita fruta.

E Portugal?

Bom, Portugal teria de vencer o Gana por 7-0, pois está com -4 e teria de igualar os +3 da Alemanha, ficando com 9 marcados e 6 sofridos.

É completamente impensável!

Portanto, caso os EUA vençam, as probabilidades de Gana e Portugal são mínimas, para não dizer inexistentes.

 

Agora, admitamos o cenário contrário, a Alemanha a vencer por 1-0.

Nesse caso, a Alemanha conseguia 7 pontos, e os Estados Unidos ficavam com 4, com uma diferença de golos de 0 (4 marcados, 4 sofridos).

Ora, o Gana parte com um "goal average" de -1, e vencer por 1-0 não chegava pois ficavam ambos com 0 em golos, com os mesmos 4 marcados e os mesmos 4 sofridos, mas aí passavam os Estados Unidos pois venceram o Gana.

Portanto, o Gana teria de vencer Portugal por 2-1. 

Assim, ficaria com 4 pontos e uma diferença de golos de 0, mas com 5 marcados e 5 sofridos, ultrapassando os americanos por ter mais golos marcados, critério que se sobrepõe nos mundiais ao resultado do jogo entre ambos.

Ora, vencer Portugal por 2-1 não é nada impossível, e como se vê o Gana está muito mais perto de passar do que Portugal.

 

É que nós, no caso de vitória alemã por 1-0, teríamos de vencer o Gana por 4-0, para igualar os americanos, ficando com 0 de diferença de golos, mas com 6 marcados e 6 sofridos, e por isso passávamos nós, pois tínhamos marcado mais golos.

Como é óbvio, é bem mais difícil Portugal vencer o Gana por 4-0, do que o Gana vencer Portugal por 2-1.

Portanto, se a Alemanha vencer os Estados Unidos pela diferença de 1 golo, é bem mais provável que seja o Gana a passar do que Portugal. 

 

Só no caso de existir um resultado mais desnivelado no primeiro jogo é que as hipóteses de Portugal se aproximam das do Gana.

Imaginemos que, por milagre, a Alemanha vence os Estados Unidos por 3-0.

Nesse caso, passam os alemães com 7 pontos, e os americanos ficam com 4 pontos e -2 em golos (4 marcados, 6 sofridos).

No outro jogo, ao Gana bastaria vencer Portugal por 1-0, e passava.

Já Portugal teria vencer por 2-0, para pelo menos garantir a moeda ao ar entre Portugal e EUA, o que já daria pelo menos 50% de probabilidades à nossa seleção.

Seria o segundo milagre!

Porém, convenhamos que uma derrota dos EUA por muitos é um cenário muito pouco provável...

 

Em conclusão, as probabilidades totais de Portugal e Gana são pequenas, mas as de Portugal são muito mais pequenas do que as do Gana.

Como se vê, não basta um milagre para Portugal passar, são precisos dois milagres e simultâneos, no mesmo dia e à mesma hora!

Ora, um milagre ainda pode acontecer, mas dois no mesmo dia, nem em Fátima!

publicado por Domingos Amaral às 11:26 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 23.06.14

A selecção é igual ao país: viveu acima das suas possibilidades

Quem são os portugueses para acharem que vão ganhar 5-0 ao Gana?

É preciso ter um descaramento dos diabos para, depois de levar 4 bolachas da Alemanha, e não ter sofrido um KO dos Estados Unidos por milagre, ainda ter o atrevimento para achar que vamos golear o Gana!

Será que os portugueses têm andado a ver o mesmo Mundial que eu?

O Gana jogou muito bem contra os Estados Unidos, mas teve azar e perdeu, e jogou muitíssimo bem contra a Alemanha, e merecia ganhar mas empatou.

Ganhar ao Gana, com a equipa que temos? Deve ser piada.

Teremos muita sorte se não formos nós a ser goleados pelo Gana, e o mais provável é perdermos o jogo, pois jogamos muito pior que eles.

 

Aliás, o golo de Varela só serve para prolongar uma agonia que já se sente desde os 4-0 com que a Alemanha nos brindou.

É um golo que dá jeito para muita gente se iludir com essa disparatada hipótese, a de continuar, depois de vencer o Gana por não sei quantos.

Importam-se de repetir?

Será que ainda ninguém percebeu que ganhar, mesmo por 15-0, não vai servir de nada?

É evidente que Alemanha e Estados Unidos vão jogar para o empate, e assim passam ambos, sendo absolutamente indiferente o resultado do Portugal-Gana.

Sim, eu se fosse a eles também "combinava" empatar, e não me preocupava mais com o assunto.

Klinsman e Klose são amigos, a Alemanha fica em primeiro, os Estados Unidos em segundo, empate a zero, e não se fala mais nisso.

Há quatro anos, foi o que nós fizémos também, empatando 0-0 com o Brasil no último jogo, e deixando de fora a Costa do Marfim.

 

A dura verdade é esta: ao final de quatro jogos, pode-se dizer que Portugal é a pior equipa do seu grupo.

Fizemos uma exibição miserável contra a Alemanha, e apenas sofrível contra os Estados Unidos.

Temos uma defesa que mete água, um meio-campo amorfo, e um ataque irregular.

Quando nos comparamos com os outros, saímos naturalmente a perder, e por isso não deve ser surpresa para ninguém o regresso a casa.

 

Temos todos de meter na cabeça que o ciclo de ouro da Seleção Nacional há muito que acabou.

Desde 2008 que temos vindo sempre a descer de qualidade, e a única surpresa foi o Euro 2012, onde conseguimos ser inesperadamente bons.

No resto, têm sido qualificações sempre em esforço, nos play-offs (2008, 2010, 2012, 2014), e fases finais fraquitas (2008 e 2010) ou muito fracas (2014).

A seleção não tem grandes jogadores ao seu dispôr, o talento é pouco, e ter Ronaldo não chega.

Para mais, este ano chegámos ao Brasil com demasiados jogadores fora de forma ou lesionados.

Pepe, Coentrão, Meireles, Veloso, Hugo Almeida, Hélder Postiga, Nani, Ronaldo, já estavam "chochos" quando aterraram em Campinas e só pioraram.

Como é que se pode aspirar a alguma coisa quando metade dos titulares deviam estar na enfermaria e não no campo?

 

Cristiano Ronaldo tem razão: há selecções muito melhores que nós.

Na verdade, são quase todas melhores que nós. Tirando os Camarões e a Coreia do Sul...

Lamento é que esse discurso de humildade não tenha sido feito por todos desde que se juntaram em Óbidos.

É pena que todos (incluindo Federação e Paulo Bento) tenham andado a "viajar na maionese", iludindo-se a si próprios e a nós.

Mas, num país que andou tanto tempo a viver acima das suas possibilidades, não é de estranhar que também a seleção tenha andado a viver claramente acima das suas possibilidades.  

publicado por Domingos Amaral às 11:08 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 18.06.14

O pior de tudo é o "goal average"...

Até agora, ouvi muita gente a falar nos "danos psicológicos" de perder por 4-0, mas ouvi poucos a referir o que interessa mesmo.

Nos Mundiais, desde 1998, o primeiro critério de desempate não é os resultados entre as equipas, mas sim a diferença de golos.

Ou seja, o "goal average", para os amigos.

Ora, perder 4-0 contra a Alemanha não é apenas perder 3 pontos, nem sofrer psicologicamente.

Perder 4-0 é cavar um fosso de -4 no "goal average", o que é terrível.

 

Aparentemente, ninguém deve ter pensado nisso antes do jogo.

Paulo Bento entrou para ganhar, esquecendo-se que teria sido bem mais inteligente jogar lá atrás, e sofrer poucos golos, como aconteceu há dois anos, quando perdemos apenas por 1-0.

Acho que faz falta um SIF, um Serviço de Informações de Futebol, que informe os treinadores destas coisas, para eles perceberem que perder por 1 não é o mesmo que perder por 4 numa prova onde o "goal average" é essencial.

Sim, eu sei que se Portugal ganhar os 2 jogos segue em frente, pois faz seis pontos e...

Será que segue mesmo?

Não caros amigos, mesmo com 6 pontos pode voltar para casa.

 

Querem ver um cenário em que isso acontece?

Imaginem que a Alemanha ganha ao Gana por 2-0. Fica com 6 pontos e +6 em golos.

Imaginem também que Portugal vence os Estados Unidos por 2-1.

Portugal ficaria com 3 pontos e -3 em "goal average" e os Estados Unidos manteriam os 3 pontos e ficariam com 0 de "goal average".

 

E se na terceira jornada a Alemanha perder com os EUA por 1-0?

É improvável, mas pode acontecer, e nesse caso teríamos Alemanha com 6 pontos e +5 golos, e EUA com 6 pontos e +1 em golos.

Estão a ver o problema?

É que, nessa situação Portugal teria de vencer no mínimo por 4-0 o Gana, para empatar com o "goal average" americano.

Acham fácil?

Eu não acho, e por isso é que digo que Paulo Bento devia ter escolhido a contenção e não o desafio à Alemanha.

 

 

publicado por Domingos Amaral às 12:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 17.06.14

Há quatro anos, a Argentina também levou 4

Há quatro anos, também a Argentina de Maradona levou 4 da Alemanha, nos quartos-de-final do mundial na África do Sul.

O primeiro golo foi logo aos 3 minutos, por...Muller, mas depois a história foi um pouco diferente.

A Argentina foi tentando, e na última meia hora arriscou demais, jogou aberto e...lixou-se.

A Alemanha marcou 3 golos e arrumou para sempre com a carreira de Maradona como treinador.

 

Esta recordação devia ter servido como lição para Portugal, na abordagem do jogo de ontem.

Contra a Alemanha, só vence quem defende muito bem, fechado lá atrás, como a Itália, em 2012, ou a Espanha, em 2010.

Paulo Bento não aprendeu essa lição nos jogos dos outros, nem no seu próprio jogo contra a Alemanha.

Há dois anos, perdemos por 1-0, o que não foi nem fatal, nem humilhante.

Desta vez, tudo foi diferente, e tudo começou com uma péssima escolha de estratégia.

Portugal quis discutir o jogo de igual para igual, e com a Alemanha isso é sempre fatal.

Em vez de jogarmos fechados, lá atrás, a deixar o tempo passar, armámo-nos em carapaus de corrida e tramámo-nos.

 

Mas, esse não foi o único erro grave.

Olhando para a nossa equipa, é impressionante constatar que mais de metade dos 11 tiveram imensos problemas físicos nos últimos meses.

Pepe esteve lesionado, Coentrão e Hugo Almeida também, Meireles idem, Ronaldo é o que se sabe e Nani quase não jogou em seis meses.

Faz algum sentido entrar em campo com tantos problemas físicos e tanta falta de ritmo?

Pepe, Coentrão, Meireles e Hugo Almeida não deviam ter jogado, e Ronaldo e Nani só devem jogar porque sem eles não somos nada.

 

Se juntarmos estes dois erros - a estratégia aberta e a debilidade física - percebemos que Paulo Bento desta vez errou em toda a linha.

Depois, a somar a isso, apareceram os erros individuais, alguns escandalosos e incompreensíveis.

Rui Patrício: dois pontapés oferecidos aos alemães, que só não deram golo por milagre, e uma fífia que deu a Muller o 4-0.

João Pereira: uma falta clara, que deu um penalty.

Bruno Alves: comido no 2-0 no ar, comido no 3-0 no chão.

Pepe: comido no 2-0 no ar, cabeçada a Muller e expulsão.

Coentrão: uma nulidade no ataque e na defesa.

André Almeida: uma fífia no 4-0.

Miguel Veloso: uma nulidade absoluta.

Raul Meireles: outra nulidade absoluta.

João Moutinho: o seu pior jogo de sempre na selecção.

Na verdade, foi a malta do ataque a única que esteve razoável, sobretudo Nani, mas também Ronaldo e Éder tentaram lutar.

 

E agora?

Bem, além de todas estas falhas, houve ainda uma falha clara de informação.

Será que na seleção alguém sabe que o primeiro critério de desempate é o "goal average" e não os resultados entre as equipas?

Sofrer 4 golos e não marcar é um passo na direção do abismo.

Agora, não existe apenas a pressão de ter de ganhar aos Estados Unidos, existe também a obrigação de marcar vários golos, pois eles têm +1, e nós temos -4, no goal average.

Eu sei que ainda é cedo, que se ganharmos os dois jogos seguimos em frente e essas tretas todas, mas depois da maior derrota de sempre, as coisas ficaram mesmo pretas.

Até ontem, o Top 3 das derrotas humilhantes de Portugal eram o Portugal-Marrocos em 86 (1-3); o Portugal-Coreia, em 2002 (0-1); e o Portugal-Estados Unidos, em 2002 (2-3), mas esta derrota entrou directamente para o primeiro lugar.

Mesmo que Portugal avance para a fase seguinte, o que eu acho muito difícil, esta nódoa já ninguém a tira da nossa memória. 

publicado por Domingos Amaral às 11:59 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 27.05.14

A austeridade é a mãe de todos os radicalismos

A dívida pública portuguesa voltou este ano a subir, e já ultrapassa os 130% do PIB.

Quanto mais pagamos, em juros e amortizações, mais devemos.

É a armadilha da dívida em todo o seu esplendor dramático, um local terrível para um país estar.

Mas, não era imprevisível, pelo contrário.

Quem tenha lido este blog, já sabe que houve dezenas de países que caíram nesta situação nos últimos cinquenta anos.

Perante uma forte recessão económica, os países optam por fazer austeridade dura, o que só agrava as suas contas, e mesmo que as exportações cresçam, não conseguem crescimento económico muito forte.

Assim, com a dívida já grande, o PIB cai com a austeridade, e a dívida no final é ainda maior.

Quanto mais se paga, mais se deve.

 

Foi quase sempre assim nas dezenas de "programas de ajustamento" que foram aplicados a muitos países por esse mundo fora.

E Portugal e Irlanda não são excepções.

Podem ter "regressado aos mercados", mas as suas dívidas públicas são hoje muito maiores do que eram há 4 anos atrás.

Se o problema era a "dívida excessiva", e foi com isso que se justificou a austeridade, o que dizer agora, que a dívida é maior do que era?

O que dizer agora, quando é agora bem mais difícil pagar a dívida do que era há quatro anos?

Há alguém que acredite mesmo que será possível Portugal e Irlanda pagarem esta dívida nos próximos 50 anos?

Mesmo que o nosso crescimento fosse superior a 4% ao ano, isso seria difícil, quanto mais com crescimento que anda à volta de 1% ao ano.

 

A verdade é esta: as políticas de austeridade não resultam.

Pelo contrário, só agravam a armadilha da dívida.

A confiança dos mercados é importante, mas não altera o essencial: a dívida assim não pode ser paga, é impossível.

Isto, já muitos sabiam há quatro ou cinco anos.

Krugman, De Grauwe, Soros, Stiglitz, até Rogoff, todos eles eminentes economistas, já tinham dito que isto ia acabar como está a acabar: com uma dívida ainda maior e mais difícil de pagar.

Porém, a Europa de Merkel e seus seguidores passou quatro longos anos obcecada pela "austeridade" e os resultados estão à vista.

Não há crescimento económico que se veja (excepto na Alemanha, claro); o desemprego alastra; a deflação é um perigo real; os partidos extremistas de direita ou de esquerda crescem; e há um desencanto geral com a Europa, que pode levar ao seu desagregamento.

E tudo isto para quê?

 

Basta olhar para os Estados Unidos para perceber qual devia ter sido o caminho.

Obama recusou-se a fazer austeridade, e limitou-se a aumentar os impostos aos mais ricos.

O FED está há quatro anos a ajudar a economia com estímulos monetários, e ninguém quer ouvir falar em austeridade.

Compare-se com o que aconteceu na Europa, com a austeridade draconiana, e com a inércia do Banco Central Europeu, e está explicado porque é que a Europa está à deriva, triste e paralisada. 

 

E Portugal está também paralisado, e com o sistema político à beira da desagregação.

É isto o que a austeridade faz aos países: mata-os por dentro.

Que depois nasçam monstros, ninguém se pode admirar.

As Marines Le Pen, as Auroras Douradas, o Beppe Grillos e outros, são os filhos bastardos da austeridade. 

A austeridade é a mãe de todos os radicalismos europeus, foi nela que eles se amamentaram.

Veremos o que acontece à Europa quando eles crescerem e forem grandes...

 

 

publicado por Domingos Amaral às 10:23 | link do post | comentar
Quinta-feira, 27.02.14

Ucrânia: uma guerra civil às portas da Europa (parte II)

A capa da revista The Economist de sexta-feira passada era elucidativa. 

"Putin´s Inferno" era o título, e a revista mostrava uma imagem dos confrontos na Ucrânia.

Infelizmente, o inferno de Putin pode transformar-se também no inferno da Europa.

Ninguém parece dar muita importância ao que está a acontecer na Ucrânia, mas estão a acontecer por lá coisas gravíssimas, que podem gerar um tremendo caos em todo o continente europeu.

A Europa está envolvida naquela contenda, seja através da União Europeia, seja através de outras instituições que pretendem ajudar, como o FMI.

E também a América está envolvida, e escolheu claramente o lado da oposição durante os confrontos.

Só que, do lado de lá, apoiando o presidente deposto, está Putin.

O ditador russo não está parado, e já movimenta as suas tropas, aproximando-as das fronteiras da Ucrânia.

E, nos mares, há navios a navegar em direcção à Crimeia, uma península do Mar Negro que tem maioria étnica russa, e que foi anexada à Ucrânia por Khrushchev, diz-se que durante uma noite de bebedeira.

É lá, na Crimeia, que os apoiantes da Rússia não aceitam a revolta de Kiev, e já içaram bandeiras russas no parlamento local.

A coisa está mesmo a ficar feia, e é quase certo que Putin vai aproveitar esta situação para mostrar a sua força ao mundo.

O que pode a Europa fazer? E mesmo os Estados Unidos, o que pretendem fazer para parar Putin e os seus defensores na Ucrânia?

Ninguém acredita que possa haver uma guerra entre o Ocidente e a Rússia, mas e se Putin esticar a corda e invadir a Ucrânia?

O país está em queda livre, não há políticos capazes de criar consensos, e ninguém sabe o que farão os militares.

A Ucrânia, é bom não esquecer, tem bases onde há mísseis nucleares...

Por mais que nos pareça impossível, a verdade é que o desastre está prestes a acontecer, às portas da Europa.

A fragmentação da Ucrânia, em dois países, um ocidental e outro oriental, é uma possibilidade real, bem como a indepedência da Crimeia.

Mas duvido que tudo isso aconteça sem um terrível banho de sangue.

publicado por Domingos Amaral às 15:26 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 09.09.13

O trambolhão de Portugal no ranking da felicidade mundial

Todos os anos, a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, (onde tirei o meu mestrado, que saudades!), publica um Relatório Mundial sobre a Felicidade.

Examina items como a capacidade económica, a qualidade da educação, das família, da saúde pública e privada, das instituições públicas; a esperança de vida, a liberdade de escolha, ou as relações com a comunidade. 

Com base nestes indicadores, é avaliada a felicidade dos países, e atribuída uma média.

Em 2012, Portugal estava na 73ª posição, com um nível médio de feliciade de 5,4, numa escala de 0 a 10.

Mas, este ano caiu 12 lugares, para a 85ª posição entre 156 países, e para um nível médio de 5,1.

Segundo o estudo, a quebra deve-se ao "impacto da crise da zona euro", que obviamente também fez descer de posição outros países do Sul da Europa, como a Itália, a Espanha e a Grécia. 

O que é interessante é que no topo da lista estão a Dinamarca, a Noruega, a Suíça, a Holanda e a Suécia.

O Canadá é o 6º classificado, e os Estados Unidos só aparecem em 17º lugar, enquanto a Alemanha ainda aparece mais atrás, em 26º lugar. 

Mas, fiquemo-nos pelos primeiros seis.

Em cinco deles (Dinamarca, Noruega, Suíça, Suécia e Canadá) impera um modelo quase social-democrata, de muita despesa pública, muito Estado Social, e elevados impostos. 

Em certos casos, como a Suécia, a despesa do Estado chega a ultrapassar os 60 por cento do PIB.

O que nos diz isto sobre os princípios liberais que estão tão em voga em Portugal e em muitos países da Europa?

Será que a redução da despesa do Estado é a melhor via para chegar a uma sociedade feliz e equilibrada?

Será que um modelo de Estado mínimo e impostos baixos, como parece ser a ambição da direita liberal portuguesa, é o melhor e mais eficaz?

As pessoas preferem um Portugal mais parecido com Marrocos ou com a Suécia?

A Suécia também teve um grave crise de excesso de dívida, porém nunca pôs o seu modelo em causa.

E, pelos vistos, os nórdicos são os "top model" da Europa, felizes, ricos e com muita despesa do Estado e muitos impostos.

Será que cortar a despesa do Estado é a única via para a felicidade, ou o centro direita poderá ter de admitir, num futuro próximo, que é absolutamente inevitável vivermos numa sociedade com impostos elevados?

Eu sei que dizer isto, nos tempos que correm, é quase uma heresia que merece que me queimem na fogueira, mas será a redução drástica da despesa do Estado o único caminho para Portugal? 

Se fossemos todos menos dogmáticos e ideológicos, como no Canadá, não seríamos mais felizes como país?

publicado por Domingos Amaral às 12:48 | link do post | comentar | ver comentários (3)
 

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